Os livros são mesmo assim: quando menos se espera, dão-nos um encontrão ali ao virar de uma esquina qualquer. Se forem de poesia, então, é preciso cuidado: transportam-nos facilmente para um mundo que é só deles...
Hoje abri a Gaveta de Papéis, um livro de José Luís Peixoto. É um autor ainda novo, dizem que é giro, usa piercings e tudo, e é escritor... dos bons! Se calhar, vão achar que estou a ser tendenciosa. Mas apeteceu-me partilhar este poema:
Encantar-te-ás com os poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casacode poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.
As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.
Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,
passam entre as gotas da chuva. Não por serem
mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.
José Luís Peixoto, Gaveta de Papéis, Lisboa, Quetzal, 2011
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