domingo, 25 de janeiro de 2015
Biblioteca de Fernando Pessoa
A Casa Fernando Pessoa tem disponível online algumas obras da biblioteca pessoal do poeta. Podes consultá-las aqui.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Recordar
Brinquedo
E um menino de bibe
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Poema de Miguel Torga, falecido a 17 de janeiro de 1995; imagem vista aqui.
Foi um sonho
que eu tive:
Era uma
grande estrela de papel,
Um cordelE um menino de bibe
O menino
tinha lançado a estrela
Com ar de
quem semeia uma ilusãoE a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto
subiu
Que deixou
de ser estrela de papel.E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Autobiografia
André
No dia 14 dezembro de 2000, nasceu uma pessoa chamada André Filipe L. M. que, para quem não sabe, sou eu.
No dia 14 dezembro de 2000, nasceu uma pessoa chamada André Filipe L. M. que, para quem não sabe, sou eu.
O meu irmão
nasceu a 23 de abril de 2005 e, tenho de ser sincero, a única coisa de que me
lembro desse dia é de ter ido à FNAC (não faz mal um bocadinho de publicidade)
comprar um jogo de computador que, só para referência, foi o Zoo Tycoon 2.
Para entrar
no infantário, mudei-me para casa da minha avó, onde ainda moro.
Por volta
dos dez anos, os meus pais separaram-se e saíram os dois de casa. Por alguma razão,
falar deste assunto não me custa nada, ao contrário do que acontece com algumas
pessoas.
A minha vida
é tão extremamente interessante que daria para fazer dois livros e
meio, de tal modo que já só tenho a salientar que a minha avó me acha um
coração de pedra, insensível, sem sentimentos que não quer saber de nada nem de
ninguém (coisa que é parcialmente mentira). Também tenho uma prima com menos de
seis meses (não sei precisar).
Texto do aluno do 9º C, imagem vista aqui.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Nostalgia de poeta
Nostalgia
Perder uma fotografia
é perder
um momento
duas vezes.
Poema de Daniel Jonas, candidato ao Prémio de Poeta Europeu da Liberdade.
Perder uma fotografia
é perder
um momento
duas vezes.
Poema de Daniel Jonas, candidato ao Prémio de Poeta Europeu da Liberdade.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
O Natal dos Simples
Cantar as janeiras com Zeca Afonso:
Cantar as janeiras
Ó de casa,
alta nobreza,
Mandai-nos abrir a porta,
Ponde a toalha na mesa
Com caldo quente da horta!
Teni, ferrinhos de prata,
Ao toque desta sanfona!
Trazemos ovos de prata
Fresquinhos, prá vossa dona.
Senhora dona de casa,
À ilharga do seu Joaquim,
Vermelha como uma brasa
E alva como um jasmim!
Vimos honrar a Jesus
Numas palhinhas deitado:
O candeio está sem luz
Numa arribana de gado.
Mas uma estrela dianteira
Arde no céu, que regala!
A palha ficou trigueira,
Os pastorinhos sem fala.
Dá-lhe calorzinho a vaca,
O carvoeiro uma murra,
A velha o que traz na saca,
Seus olho mansos a burra.
Já as janeiras vieram,
Os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
Estamos para durar!
Já lá vem Dom Melchior
Sentado no seu camelo
Cantar as loas de cor
Ao cair do caramelo.
O incenso, mirra e oiro,
Que cheirais e luzis tanto,
Não valeis aquele tesoiro
Do nosso Menino santo!
Abride a porta ao peregrino,
Que vem de num longe, à neve,
De ver nascer o Menino
Nas palhinhas do preseve.
Acabou-se esta cantiga,
Vamos agora à chacota:
Já enchemos a barriga,
Sigamos nossa derrota!
Rico vinho, santa broa
Calça o fraco, veste os nus!
Voltaremos a Lisboa
Pró ano, querendo Jesus.
Mandai-nos abrir a porta,
Ponde a toalha na mesa
Com caldo quente da horta!
Teni, ferrinhos de prata,
Ao toque desta sanfona!
Trazemos ovos de prata
Fresquinhos, prá vossa dona.
Senhora dona de casa,
À ilharga do seu Joaquim,
Vermelha como uma brasa
E alva como um jasmim!
Vimos honrar a Jesus
Numas palhinhas deitado:
O candeio está sem luz
Numa arribana de gado.
Mas uma estrela dianteira
Arde no céu, que regala!
A palha ficou trigueira,
Os pastorinhos sem fala.
Dá-lhe calorzinho a vaca,
O carvoeiro uma murra,
A velha o que traz na saca,
Seus olho mansos a burra.
Já as janeiras vieram,
Os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
Estamos para durar!
Já lá vem Dom Melchior
Sentado no seu camelo
Cantar as loas de cor
Ao cair do caramelo.
O incenso, mirra e oiro,
Que cheirais e luzis tanto,
Não valeis aquele tesoiro
Do nosso Menino santo!
Abride a porta ao peregrino,
Que vem de num longe, à neve,
De ver nascer o Menino
Nas palhinhas do preseve.
Acabou-se esta cantiga,
Vamos agora à chacota:
Já enchemos a barriga,
Sigamos nossa derrota!
Rico vinho, santa broa
Calça o fraco, veste os nus!
Voltaremos a Lisboa
Pró ano, querendo Jesus.
Poema de Vitorino Nemésio.
Reis Magos
Diz a
Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.
Estrela nova
… Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.
Avistando-a,
os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.
E foram
andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.
Ora, dos
três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol
Era o
terceiro somente
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.
Nascera
assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três!
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três!
Andaram. E,
um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.
E os Magos
viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir
Ajoelharam-se,
rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.
E Jesus os
contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …
A imagem é de Edward Burne-Jones e o poema de Olavo Bilac.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Natal do Menino
Cântico ao Menino
Entre os
portais de Belém
Está a
árvore de Jassé
Com três letrinhas
que dizem
Jesus,
Maria, José
Entrai
pastores entrai
Por este
portal sagrado
Vinde ver o
Deus Menino
Entre as
palhinhas deitado
Li, ai li,
ai li, ai lé
O menino
nascido é
Entre as
portas da Igreja
Está uma
mulher cosendo
Está fazendo
a camisinha
P’ró Deus
Menino em nascendo
Ó meu menino
Jesus
Quem lhe deu
a camisinha
Foi a minha
avó Santana
Com botões
de prata fina
Li, ai li,
ai li, ai lé
O menino
nascido é.quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Abecedário sem juízo
A de Ana que não gosta de banana.
C de Carolina
que tem uma amiga Albertina.
A de Augusta que
não é nada justa.
D de Daniel que
gosta de pastel.
D de Diana que escorrega numa banana.
F de Fernanda
que se parece com um panda.
B de Benjamim,
beija-me a mim.
F de Francisco Luis que quando não traz TPC fica
todo feliz.
R de Rucha que
gosta de comer uma boa bucha.
G de Gonçalo Leonardo que foi aspirado.
G de Gonçalo que monta o seu cavalo.
I de Inês que naquele mês vai à
loja do chinês.
J de João que
tem um bom coração.
J de João Janeiro que gosta de tourear o carneiro.
J de João Vicente que
lhe caiu um dente.
L de Luisa que vai a Ibiza.
M de Madalena
que escreve com uma pena.
M de Margarida
que vai à rua com uma ferida.
M de Maria que
ganhou a lotaria.
M de Martim que
adora o pudim.
M de Miguel que
salvou o cão com um papel.
R de Rafael que é um amigo fiel.
R de Rodrigo que é um bom amigo.
S de Salvador sou alegre, simpático e sonhador.
Trabalho dos alunos do 5º G.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Padre António Vieira
É apresentada hoje na Reitoria da Universidade de Lisboa, a obra integral do Padre António Vieira. A publicação, iniciada em 2012, estende-se por 30 volumes.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Cantinho Solidário
A BE vai organizar um Cantinho Solidário. Se quiseres ajudar traz os peluches que já não usas. Vamos oferecê-los a crianças carenciadas no Natal.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
O apanhador de desperdícios
O apanhador
de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Poema do brasileiro Manoel de Barros, falecido na semana passada aos 98 anos.
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Poema do brasileiro Manoel de Barros, falecido na semana passada aos 98 anos.
Contar, encantar e... desenhar
Estes são alguns dos trabalhos que os alunos do 5ª D fizeram para ilustrar poemas de Luísa Ducla Soares.
Dar a voz
A viagem do elefante
João Amaral adaptou a obra de Saramago à banda desenhada. Outra maneira de descobrir um grande contador de histórias.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Escritor premiado
Bruno Vieira Amaral ganhou o Prémio Literário Fernando Namora com a obra As primeiras coisas. Este livro já tinha sido distinguido com o Prémio PEN Clube de Narrativa.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Livro premiado
Zona de Desconforto, coordenado por Marcos Farrajota, venceu o Prémio Nacional de Banda Desenhada 2014. O album reúne histórias de autores portugueses de BD que emigraram.
Ler faz bem!
A Campanha Nacional de Leitura do Canadá garante que ler 6 minutos por dia pode diminuir o stresse até 60 %, reduzir o ritmo cardíaco e aliviar a tensão muscular. Vamos ler?
Visto aqui.
Visto aqui.
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